O projeto parte da requalificação de um edifício abandonado na região central de Belo Horizonte, reconhecendo no existente não apenas um potencial construtivo, mas um valor simbólico para a cidade. A proposta inicial concentra-se na preservação e revitalização da estrutura original, acionando a memória urbana como matéria-prima para uma nova narrativa arquitetônica. Em continuidade, um segundo volume é implantado ao lado, assumindo uma linguagem complementar, porém autônoma, estabelecendo um diálogo entre passado e presente.
Essa relação entre o edifício requalificado e a nova edificação propõe uma síntese entre permanência e transformação. A composição volumétrica, marcada por linhas curvas e formas orgânicas, rompe com a rigidez do funcionalismo tradicional e busca uma integração mais fluida com o entorno urbano e ambiental. As varandas generosas, envoltas por vegetação, operam como transições entre o interior e a cidade, ao mesmo tempo em que introduzem estratégias passivas de conforto térmico.
A inspiração em elementos vernaculares, como os alpendres da arquitetura mineira, surge não como citação literal, mas como evocação sensível de um modo de habitar. Esses gestos projetuais promovem uma reconexão com as referências locais, reinterpretadas sob uma ótica contemporânea e sustentável.
A incorporação de soluções ambientais, como fachadas verdes e sistemas de captação solar, reforça o caráter experimental e comprometido da proposta com as urgências climáticas e urbanas do presente. Ao articular pré-existência e inovação, o conjunto busca constituir-se como um marco urbano silencioso — enraizado na história, mas voltado ao futuro.